sábado, 4 de dezembro de 2010

O diário perdido

Era sexta-feira dez e meia da noite, estava mais uma vez sozinho em meu quarto pensando em como seria o mundo lá fora, sabendo que não iria ter sono mais uma noite por causa da minha insonia me deparei com uma lua grande e cheia dominando quase que por inteira a minha janela, e ao mesmo tempo aquele céu negro e cheio de mistério, talvez bem parecido com o meu coração.
Nunca fui muito positivo em relações a amizades, para dizer a verdade meus únicos amigos são meus remédios para dormir e minhas coleções de livros junto com o meu diário, é claro, nele eu conseguia ser uma pessoa comum, uma pessoa imaginativa, uma pessoa menos realista e com sonhos, decidi então mais uma vez, me dopar com os meus remédios para sono e depressão, pois com eles eu ficava livre da angustia que abitava em meu peito todas as horas do meu dia.
Sábado, acordei com o barulho ensurdecedor de um ronco de motor de moto, mais um dia começa, mais um dia e eu continuo assim, triste, sem amigos e sem vida, o que aliviava meu dia era a maldita praga chamada internet, passava horas ali em frente daquele monitor com um foco de luz enfuscante entre a escuridão do meu quarto, decidi tomar banho e ir ver a minha doce e adorável mãe, que na qual era a única pessoa capaz de me dar animo para viver neste mundo perdido e cruel. Mais uma vez voltei para meu quarto, liguei o meu abajur encima da minha escrivaninha e devorei um livro, desta vez era um livro diferente dos quais eu estava acostumado a ler, um livro serio mais usado para estudo. Exausto e com vontade de correr e buscar alguma coisa que não sabia o que realmente era, me deitei tomei meus remédios e fui dormir.
Domingo, acordei agitado tive mais um dos meus pesadelos terríveis, mais um sonho amedrontador que no qual já estava acostumado, tomei minha xícara de chá matinal, tomei um banho gelado para me despertar de vez, dei um beijo na minha doce mãe e sai, domingo era dia de ir a biblioteca, único lugar que no qual valia mesmo a pena ir, fui até o ponto de ônibus mais próximo da minha casa para ir buscar mais livros, no caminho encontro três garotos da minha sala, que conversavam bastante comigo e me ajudavam a me enturmar, mesmo não conseguindo. Eles logo me pararam e me convidaram para ir a uma festa, eu logo pensei que eles estavam loucos, eu em uma festa? Impossível. Mas Decidi ir, pensei que poderia ser bom para mim.
A festa seria neste domingo, as onze horas em ponto, eu iria encontrar eles na porta da nossa escola, seria uma festa para alunos mas sempre ia uns penetras, em comemoração ao encerramento do ano letivo da escola, eu como sempre fui muito desligado para tudo, cheguei na porta da escola as onze e meia, pedindo desculpas e colocando de volta o capuz do meu blusão, a festa já tinha começado quando chegamos, eu como muito divertido logo me sentei no primeiro degrau da escada do salão da escola e ali fiquei, com meu copo de refrigerante quase quente e sem gás, mas mesmo assim me sentia feliz, pois , não era convidado para muitos lugares, eu não saia de casa para ir a lugar que não fosse biblioteca e escola, com uma musica lenta no fundo, logo a musica que eu mais gostava, hey There Delilah da banda Plain White T's , não aguentei e comecei a cantar bem baixo para ninguém que passa-se ouvisse eu cantar, quando eu menos imagino uma garota, linda por sinal, cabelos negros, da pele branca feito neve, chega ao meu lado e diz :
- Posso sentar ao seu lado?
Logo eu respondo envergonhado e um pouco tímido :
- Sim, sem problemas.
E logo volto a olhar para o meu copo de refrigerante cada vez mais tímido, quando percebi que a garota estava tentando puxar assunto, ela olhou para mim e perguntou :
- Você é sempre assim? Quieto, parecendo triste, Qual o seu nome?
Olhei para ela com um sorriso disfarçado e disse :
- Sim, infelizmente sim. Meu nome? Meu nome é Pedro, e o seu?
Ela sorriu quase rindo, e logo disse :
- Meu nome é Alice.
Fiquei logo encabulado e sem assunto, mas não conseguia parar de olhar para ela, por mais que eu tenta-se desviar o olhar e a atenção, uma força fazia com que eu olha-se de novo para ela. Ela então fez outra pergunta :
- Você estuda aqui? Gosta de Plain White ?
Pensei por alguns instantes e logo respondi :
- Sim estudo, e você? Plain White ? Eu gosto, porque?
Fiquei esperando a resposta dela como nunca esperei nada de ninguém antes e logo ela respondeu :
- Nossa que legal, estudo aqui também, Plain White? Eu adoro, ainda mais essa musica que está tocando, é a minha preferida deles.
Nós dois trocando olhares e eu pensando, em como eu estava feliz em estar do lado dela, mesmo nem conhecendo-a direito, mas alguma coisa dentro de mim mudou era estranho e ela logo disse com pressa depois de olhar ao celular :
- Nossa, Pedro preciso ir para casa, as aulas não acabaram ainda e a gente precisa ir até o final, você vai ? Foi muito bom conversar com você, quero ficar mais vezes com você.
Foi quando eu criei coragem pela primeira vez na vida e disse :
- Vou sim, você quer ficar mais vezes comigo? Podemos nos ver amanha? Na escola...
e Alice logo com um sorriso no rosto falou :
- Com certeza Pedro, amanha de manha aqui na porta, nós entraremos juntos e você vai me levar até a minha sala (dando risadas).
Eu muito feliz disse :
- Tudo bem, amanha de manha. Levar você na sala. Ok, Fechado.
Quando ela estava descendo a escada eu digo:
- Alice!
Ela vira e diz:
- Sim, Pedro?
E eu com toda coragem do mundo falo :
- Boa noite, foi muito bom te conhecer.
Ela rapidamente muda de expressão,de um rosto preocupado para um feliz responde :
- Boa noite Pedro, foi muito bom te conhecer, até amanha.
Ela desceu as escadas correndo, e eu logo olhei para o meu relógio e percebi que já era quase uma hora da manha, precisava ir para casa, o tempo simplesmente voou com a companhia da Alice, mas valeu a pena, logo eu desci as escadas e fui para casa, pela primeira vez na vida volto feliz. Cheguei em casa tomei banho e não tirava a Alice da minha cabeça, decidi então deitar e imaginar como seria amanha com ela. E pela primeira vez durante anos, adormeci sem precisar de remédios.
Continua...

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