quinta-feira, 4 de junho de 2015

O que Restou de Mim

Mesmo dia, mesmo sol com nuvens, os mesmos pensamentos, as mesmas canções, o mesmo desejo, a decepção eterna, o vazio estrondoso, as mesmas lágrimas, os mesmos pares de olhos cansados de tentar enxergar algo além do que o mesmo, mesmo chá de canela com maçã, o mesmo par de sapatos velhos, a mesma camisa branca com botões dourados que você amava, o mesmo suspensórios cansado de segurar as mesmas calcas vincadas de linho, a mesma sala, a mesma poltrona, os mesmos livros, a mesma coletânea de música que escolhemos uma a uma, eu como sempre amargo e sombrio em todas as escolhas e você… aaah você quebrava o gelo deste lugar e do meu coração com sua felicidade que transbordava de dentro de cada ação voluntária ou não sua.
Ainda estou aqui, dia após dia, mergulhado neste mar de tristeza, dor e solidão, ainda estou aqui esperando o dia que desejo tanto, o dia em que me juntarei a você minha doce e angelical Morgana. Não ha um dia em que eu não consiga escutar sua voz doce em meus velhos e não tão bons ouvidos, sinto suas mãos quentes e seus lábios doces em meu corpo gelado e pálido que você tanto admirava, sinto sua respiração ofegante cheia de emoção enquanto olhávamos um para o outro ouvindo a nossa “preferida” Spring de Vivaldi, quantas vezes eu mesmo reclamando me acabava de dançar esta linda canção, acabando-me envolvido em teus braços quentes e confortáveis na nossa gigantesca cama, este momento era único, capaz de me desprender desta escuridão que me envolvia, esta tristeza que me assombrava.
Hoje se faz 25 anos que você se foi, porque me deixaste aqui sozinho minha amada? Por qual motivo os céus e o Deus que você tanto admirava te arrancou da minha vida? Será que eu não te merecia? Será que não fui o bastante para sua nobre e honrável pessoa? Óh meu amor, hoje se faz 25 anos que você seguiu para o que você chamada de trilha da “felicidade eterna”, e me deixou aqui neste mundo de cinzas e escuridão, vejo estes flocos de neve descendo sobre a janela enquanto seguro com as mãos trêmulas e cansadas minha xícara de chá enquanto tão lentamente quanto o gole amargo escorre a minha última lágrima, a lágrima que simboliza o alívio pois estou indo ao seu encontro, a dor que todo esse sofrimento me fez passar, a felicidade de simplesmente me sentir livre, e o amor que infinitamente encontrei e sentirei por ti.

Sei que me aguarda, e sei que veio me buscar minha doce e amada Morgana, sinto sua presença aqui, agora! Pois bem me leve com você dê uma vez por todas e me faca feliz novamente.