terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O diário Perdido 5

Sábado 24 de dezembro, acordei meio atordoado, minha cabeça explodia de dor e a primeira pessoa que veio em minha mente foi Alice, já era cerca de três horas da tarde e nem uma mensagem, nem um sinal, eu fiquei pensando no desejo dela, e fui tomar banho, me troquei, e percebi que poderia fazer aquele desejo se realizar, mas teria que ter coragem, e um cérebro de minhoca mas iria tentar, dei boa tarde para minha mãe peguei minha chave e minha blusa de frio coloquei o capuz e sai de casa em direção a uma das amigas idiotas da Alice, elas sabiam para onde Alice estava indo, tinha certeza, depois de andar por três quarteirões cheguei ao prédio da Fernanda, melhor amiga de Alice, e também uma das mais idiotas pessoas da escola, pedi para o porteiro chamá-la e ela disse pelo interfone para mim subir, 13º andar apartamento 135. Como tinha medo de elevador, corri pelas escadas, cheguei no corredor do 13º andar totalmente morto, exausto, pigando suor, mas não podia perder tempo apertei a campainha e ela atendeu a porta, como sempre me olhando de baixo para cima ela disse :
- O que você quer aqui?
Eu respirei fundo tentando procurar ar, e respondi :
- Fernanda, eu sei que você não gosta de mim, e pode ter toda certeza que eu também não gosto de você, mas preciso que você me de o endereço novo da Alice, eu preciso! Não faça isso por mim e sim por ela.
Ela olhou para mim e mandou eu entrar, e disse que iria pegar o endereço, eu fiquei em pé na sala, esperando ela voltar, e depois de uns quinze minutos ela voltou com um pequeno pedaço de papel, e dizendo que Alice tinha dado para ela ontem. Eu olhei para ela, peguei o pedaço de papel e não consegui me conter, dei um abraço nela e disse :
- Eu ainda te odeio, mas agora por esses 30 minutos da minha vida, a raiva que eu sinto por você diminuiu 0,0001%.
Ela riu, e eu rapidamente disse adeus, e corri feito um louco pelas escadas, sai do prédio, e fui para casa. Disse para minha mãe o que eu queria fazer, ela não aceitou, mas disse que se era o que eu queria realmente, ela me ajudaria. Eu corri, e peguei minha mochila, juntei todas as minhas economias para o meu novo computador e minha nova coleção de livros, e coloquei na mochila, pedi ajuda para minha mãe apenas para ela me levar até a rodoviária, onde eu pegaria a ultima passagem para campinas, logo eu que odiava ônibus teria que aguentar uma hora dentro daquilo, dei adeus para minha mãe, e disse que no dia seguinte estaria de volta, ela não ficou muito feliz, mas me beijou e disse:
- Meu filho, tome cuidado, eu te amo e ligue para mim assim que chegar, vá com Deus.
Eu disse que ligaria, dei outro beijo nela e subi naquele maldito ônibus fedorento, e fui embora, fiquei com a garganta entalada em deixar minha mãe ali, mas não pude esconder a felicidade de ir reencontrar Alice.
Depois de duas horas, eu cheguei em campinas, e rapidamente sai do ônibus e liguei para minha mãe, já era 6 horas da tarde, ela precisava de noticias, liguei e disse que estava tudo bem e estava em campinas já, agora só precisava encontrar um bairro chamado Cambuí, na rodoviária mesmo perguntei para um homem, parecia segurança, ele tentou me explicar mas disse que era um pouco longe, e disse que era melhor eu pegar um táxi, segui as instruções dele, e peguei um táxi e disse que queria ir para Cambuí, no edifício “Flores de Outono”, depois de uns 30 minutos ele parou e disse que já tínhamos chegados, eu paguei para ele, e agradeci quando eu desci eu fiquei totalmente perdido, me senti totalmente deslocado, mas entrei na recepção do prédio, e expliquei tudo para uma mulher que estava lá ao lado do porteiro, eles acharam aquilo emocionante, perigoso, mas emocionante, e disse que falaria que era uma tia de Alice, eles ligaram para o apartamento 215, 15º andar, meu estomago embrulhou, Alice disse que poderia subir.
O porteiro disse rapidamente para mim que ela estava a espera no apartamento, mas decidi fazer uma coisa antes, sai correndo do prédio, e fui ao supermercado que tinha quase ao lado, e comprei dois pacotes de bolacha, e duas latas de coca, coloquei na mochila e corri novamente para o prédio,
agora, era apenas eu e o elevador, essa maldita invenção demoníaca, que na qual eu morria de medo, mas não conseguiria subir 15 andares de escada, então fechei os olhos e entrei, aquilo estava me matando, meu coração acelerava, minhas penas balançava, e eu não sabia se era de emoção por estar a apenas 15 andares da Alice ou do maldito elevador que nunca parava de subir. Quando de repente o elevador para, e a porta abre, eu como sempre, mal vestido, de calça jeans, all star, blusa de frio preta e uma mochila velha bem gasta por sinal, mesmo assim encarei a campainha e apertei feliz.
A mãe dela abriu e quando iria gritar meu nome, fiz um sinal para ela ficar em silencio e disse que estava procurando a Alice, ela saiu do apartamento fechou a porta e disse no corredor para mim, que Alice ficou o dia todo no quarto, esperando minha ligação, então perguntei se poderia fazer uma surpresa, a mãe dela disse que tudo bem, que eu sempre era bem vindo.
Eu entrei na casa dela, e delicadamente fui até o quarto da Alice, a porta estava encostada, Alice estava vendo TV, de costas para a porta, eu abri rapidamente e disse lentamente:
- Não a distancia no mundo, suficiente para fazer você ficar longe de mim.
Ela deu um pulo da cama, e parecia assustada, mas logo chorou, ela saiu da cama e pulou em mim me abraçando fortemente, e me dando um beijo, ela não sabia o que falar oque perguntar mas foi tentando, e disse:
- Meu Deus, amor!! como você chegou aqui? como você sabia? Você é realmente muito louco você sabe né?
Eu não aguentei e comecei a rir, e respondi para ela:
- Fui atrás de sua amiga, a idiota da Fernanda, e eu sei, eu sei que eu sou realmente muito louco, louco por você Alice! E foi por você meu amor, que eu aguentei duas horas de ônibus e quinze andares de elevador, foi por você que eu fiz tudo isso, foi por você Alice, porque... você é tudo que importa pra mim.
Ela chorando, me abraçou e disse :
- Agora sim eu posso dizer, sou a menina mais feliz desse mundo, graças a VOCÊ!, eu preciso de você, eu quero você pra sempre, eu amo você Pedro.
Depois disso, quando era quase meia noite fomos para a varanda e eu abri a mochila e disse :
- eu não sou muito bom com ceias de natal, sempre é a minha mãe que prepara, mas hoje eu vou fazer a nossa.
Coloquei minha blusa no chão, e encima coloquei duas latas de coca e dois pacotes de bolacha, e dei um beijo na testa dela dizendo:
- Feliz natal meu anjo.
Ela riu muito, com a nossa ceia, mas sinceramente foi a melhor ceia de natal de todas! Então depois de comermos eu liguei para minha mãe contei tudo e desejei com todo carinho um feliz natal para ela, e disse que amanha estaria de volta, Alice voltaria amanha também pois o pai dela pediu demissão e disse que o trabalho anterior era o suficiente para ele, que na realidade era mentira ele pediu demissão porque nao aguentou deixar tudo para trás.
No dia seguinte, eu estava ainda na varanda, quando todos acordaram, mais uma noite sem sono, mas estava com Alice, deitada nos meus braços, aquele momento foi o mais perfeito que eu poderia ter. Voltamos para São Paulo, e hoje, dia 25 de dezembro encerro este diário, decidi que esta na hora de parar de escrever, e apenas viver, e os registros daqui em diante ? Deixo tudo registrado no meu coração.

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